Investir em horário flexível ou home office?

A reforma trabalhista mudou as relações para os empresários. Aprovada pelo Senado Federal, promulgada pelo presidente Michel Temer em julho, as alterações passam a vigorar em novembro. E uma das mudanças está na formalização do home office, uma modalidade de trabalho onde o funcionário cumpre tarefas em casa.

Conforme pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 73% dos trabalhadores querem ter mais flexibilidade no expediente, enquanto que 81% querem trabalhar de casa ou em locais alternativos quando preciso. Esses números aumentaram se comparados a 2015, quando eram 71% e 73% respectivamente.

A pesquisa foi divulgada em janeiro de 2017, antes mesmo da aprovação da reforma, e mostra que são justamente os trabalhadores do mercado formal aqueles que menos conseguem exercer seu desejo por flexibilidade. Apenas 41% dos que trabalham com carteira assinada dizem ter liberdade na jornada.

Conforme o Santander Negócios e Empresas, o horário flexível consiste em permitir que funcionários tenham mais liberdade na escolha de seu expediente: desde a hora em que começarão a trabalhar até o local em que farão suas atividades. A iniciativa segue a premissa de que existem horas a serem cumpridas, mas sem especificação de horário e lugar.

Em pequenas e médias empresas, o horário flexível tende a ser mais fácil de ser adotado, pois há menos colaboradores e menos turnos de trabalho para serem reorganizados. Antes de permitir que os colaboradores escolham a própria jornada de trabalho, no entanto, a organização precisa analisar qual será o impacto da iniciativa no negócio.

Para que o modelo seja produtivo, a empresa precisa verificar e estudar como poderá ser o trabalho flexível de cada funcionário de acordo com seu cargo e funções. Tudo pode ser adaptado de acordo com a rotina do profissional: reuniões presenciais podem ser realizadas, alguns dias, a distância, por exemplo.

CNI

Benefícios do horário de trabalho flexível

  1. O ambiente de trabalho torna-se mais propício à inovação e à criatividade;
  2. A produtividade dos funcionários aumenta, pois ganham a possibilidade de alinhar sua vida pessoal com o trabalho e de trabalharem em horários em que são mais eficientes;
  3. Os profissionais tornam-se mais responsáveis em entregar suas demandas e tarefas;
  4. Colaboradores aprendem a fazer melhor a gestão de tempo;
  5. A empresa pode focar mais em resultados;
  6. Funcionários passam a atrasar e até a faltar menos, pois adequam o horário de trabalho à sua realidade;
  7. Profissionais passam a ser mais leais e a confiarem mais na empresa em que trabalham, diminuindo o índice de turnover da organização.
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Mas como gerenciar o home office?

Trabalhar remotamente vem sendo um requisito cada vez mais pedido entre os novos profissionais, que procuram balancear sua vida pessoal com a profissional de maneira ponderada. Os empresários precisam se adaptar ao novo modelo de gestão: saber gerenciar e, mais do que isso, motivar uma equipe que trabalha a distância.

O processo é desafiador, porém, de grande aprendizado para os gestores. O primeiro passo é definir um sistema de comunicação. Não é porque o funcionário está em casa que ele não deve satisfações para o empresário, pelo contrário. A forma como cada um vai se falar (email, skype, messenger, whatsapp, celular) cada um vai definir.

Além disso, o funcionário não deve ser esquecido pela empresa. Em caso de dúvida, os gestores que estão no seu ambiente de trabalho precisam estar disponíveis para orientar o funcionário que está em home office. Caso o funcionário passe muito tempo trabalhando em casa, é ideal realizar reuniões periódicas presenciais.

O compartilhamento das tarefas e o prazo para realização das mesmas devem ser muito bem definidos. Cabe ao gestor especificar as informações e a forma de envio das mesmas. Também é responsabilidade do empresário arcar com os custos do home office, tais como energia elétrica, internet e também fornecer equipamentos necessários para a função.

 

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Com informações:

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Dartagnan Costa

Advogado OAB/RS 72.784 Diretor na empresa Dartagnan & Stein Sociedade de Advogados, atuando no mercado do Rio Grande do Sul. Bacharel e Mestre em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul Especialista em Direito Tributário pela Universidade Cândido Mendes Especialista em Direito Empresarial do Trabalho pela Universidade Cidade de São Paulo MBA em Direito da Economia e da Empresa pela Fundação Getúlio Vargas

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