Depressão no trabalho: como lidar?

A pressão do dia a dia, aliada com as preocupações na vida pessoal são as principais causas da depressão, uma doença séria e que pode ter resultados catastróficos para quem sofre com a enfermidade. Essa doença não se manifesta só pelos seus sintomas, mas também apresenta um grave desequilíbrio químico no cérebro.

Caracterizada por mudanças no humor e perda do prazer em realizar atividades cotidianas que antes eram prazerosas, a depressão tem origem neurológica, e apresenta como sintomas principais: tristeza profunda, falta de motivação e desânimo frequente. Tachada de mal do século, a depressão é responsável por retirar do mercado milhares de profissionais.

Conforme matéria publicada na revista Época Negócios, no ano passado, 75,3 mil trabalhadores foram afastados em razão do mal, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram 37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais e comportamentais.

O número de pessoas que vivem com depressão aumentaram 18% entre 2005 e 2015. É o que aponta um novo relatório global lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas (5,8% da população), enquanto distúrbios relacionados à ansiedade afetam mais de 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população).

A psicóloga Rosane Lorena Granzotto, em entrevista ao Tribunal Superior do Trabalho, explica que a queixa principal dos trabalhadores que sofrem do problema é o excesso de demanda por produtividade. Muitos profissionais são obrigados a atingir metas impossíveis, e quando isso não ocorre sofrem assédio por parte dos superiores hierárquicos.

“Essa situação, quando é repetitiva e já está acontecendo há algum tempo, gera uma frustração sistemática. Porque a pessoa nunca alcança aquilo que é esperado dela, um sentimento de menos-valia e de impotência e essa vivência, ficar muito tempo nesses sentimentos leva a um estado de estresse crônico”, revela a psicóloga.

De acordo com a OMS, em dados divulgados pela Agência Brasil, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

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Sintomas no trabalho: como perceber?

Hoje considera-se que a depressão seja uma combinação de diversos fatores: biológicos, psicológicos e ambientais. Passar por um momento delicado na vida, viver em um ambiente desfavorável e não possuir habilidades para lidar com os problemas do cotidiano são causas de depressão tanto quanto fatores bioquímicos.

Segundo a relações públicas Andréa Guedes, em artigo no portal Administradores, ambiente desfavorável inclui o de trabalho e nesse, as causas da depressão podem aparecer por não se reconhecer mais enquanto profissional, sente que deixou de cumprir um papel de si mesmo, deixou de se validar.

Além disso, em grandes vezes surge o sentimento de impotência, receio de não conseguir “dar conta do recado” ou não se sentir apto ao cargo exercido, sem vida social, sempre desmotivado, sem paciência com familiares e amigos, magoando-se ou chorando com facilidade sem um motivo aparente;

Discriminação ou assédio (moral e sexual), relacionamento hostil entre pares e entre líderes e liderados é outro fator para depressão no trabalho, assim como trabalho com extrema demanda e com muita competitividade (chegando a ser irreal) ou mesmo insegurança no cargo, principalmente com os alertas de crise que estamos vivenciando.

Os principais sinais de depressão no ambiente de trabalho, de acordo com o coach José Roberto Marques, do Portal IBC, são:

  •         Baixo astral ou tristeza;
  •         Perda de interesse em atividades cotidianas;
  •         Problemas para dormir ou insônia;
  •         Mudança de peso e apetite;
  •         Dificuldade em planejar atividades diárias;
  •         Dificuldade de concentração;
  •         Indecisão;
  •         Esquecimento.

 

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Esses sintomas são mais frequentes do que se pode imaginar. E, apesar de tudo, muitos preferem não se afastar do emprego, já que os sintomas cognitivos são mais fáceis de esconder. Caso você tenha dúvidas sobre alguns desses sintomas, procure uma ajuda médica para que se tenha o diagnóstico e tratamento corretos.

A dica é ficar sempre de olho no bem-estar dos funcionários. Isso porque o fato do colaborador continuar trabalhando pode ser prejudicial também aos colegas de trabalho, e custar mais para a organização do que seu afastamento — especialmente porque o profissional deprimido não apresenta boa produtividade (leia mais aqui).

 

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Com informações:

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Dartagnan Costa

Advogado OAB/RS 72.784 Diretor na empresa Dartagnan & Stein Sociedade de Advogados, atuando no Estado do Rio Grande do Sul. Bacharel e Mestre em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul Especialista em Direito Tributário pela Universidade Cândido Mendes Especialista em Direito Empresarial do Trabalho pela Universidade Cidade de São Paulo MBA em Direito da Economia e da Empresa pela Fundação Getúlio Vargas

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